Sunday, September 6, 2009

NetArt a Repetição e o Desvio



De Boca Nervosa: NetAart tem que ser mais que simples experimentação e "jogo" para aqueles que vão às exposições.

" É este o segredo do empirismo. De modo algum é o empirismo uma reação contra os conceitos, nem um simples apelo à experiência vivida. Ao contrário, ele empreende a mais louca criação de conceitos, uma criação jamais vista ou ouvida. O empirismo é o misticismo do conceito e seu matematismo. Ele trata o conceito como o objeto de um encontro, como um aqui-agora (...) de onde saem inesgotáveis os 'aqui' e os 'agora' sempre novos, diversamente distribuídos". [DELEUZE, 2006, p. 17].

Mais que ser divertido, legal, o desvio tem a potência de chamar para conceitos, para alguma epistemologia, uma construção do modo de se ver a vida e o mundo. Senão fica parecendo videogame. "Aperte aqui" "Acontece isso lá". Bem, os videogames são muito bem sucedidos naquele tipo de fluxo de informação/tensão Mihaly Csikszentmihalyi: Creativity, fulfillment and flow que despertam no expectador, leitor, ou alguém que passe por ali.

"Repetir é comportar-se, mas em relação a algo único ou singular, algo que não tenha semelhante ou equivalente. Como conduta externa, esta repetição talvez seja o eco de uma vibração mais secreta, de uma repetição interior e mais profunda no singular que a anima. " [DELEUZE, 2006, p. 19].

Desvio ou programação bem sucedida que aqueles que pretendem propor alguma forma de arte que envolva uma parafernália digital. Eu gostaria que esse tipo de construção epistemológica que parte do conhecimento e da experiência do próprio artista, da sua história, ficasse disponível nas exposições de um modo geral com letrinhas um pouquinho maiores, que não fosse necessário dar uma "googlada" antes ou depois do passeio, apesar de ser um prazer fazer isso. A informação é capaz de fazer refletir sobre aquilo que nos chega em forma de sons, imagens, micro e macro instalações.


referências:

DELEUZE, Gilles. Diferença e repetição. 2.ed. Tradução: Luiz Orlandi e Roberto Machado. São Paulo: Graal, 2006.

Saturday, August 29, 2009

Devaneios: [desvio] e [homem da multidão]

Para o Blog do Desvio:

Devaneios: pensando nas tags [desvio] e no [homem da multidão] como a rede, pode-se considerar hilário quando físicos, matemáticos e administradores buscam, por meio de "registros fotográficos", expor e explorar sociogramas das relações que se constituem em rede, as quais carregam na essência a característica de se dissolverem e, a qualquer momento, serem recriadas. Trata-se de um cálculo "volúvel" pode-se dizer assim, com variáveis que nunca termina de se relacionar. A mesma crítica pode ser aplicada aos artigos científicos de universidades importantes e autores completamente desconhecidos (provavelmente estudantes de doutorado) que versam sobre "modelos de mkt viral" (argh!). Pensando deste modo, até mesmo as teorias sistêmica e orgânicas apresentam suas restrições quando aplicadas ao estudo das redes. Isso pq se baseiam em modelos e funções.

Retomando os "registros fotográficos", a técnica e as mudanças sociais, já em 1935 Walter Benjamim no famoso ensaio Paris, a capital do século XIX ao mencionar que a multidão carrega o gene da inovação ainda que os modos de produção de determinada época recorram aos modelos tradicionais, o autor relata que "o coletivo é um ser extremamente inquieto, eternamente agitado que vivencia, experimenta, conhece e inventa tantas coisas entre as fachadas dos prédios quanto os indivíduos no abrigo de suas quatro paredes". (BEJNAMIN, 2007, p. 465).O

Ora, utilizar uma citação de 1935 agora é pensar em um mundo que , no qual as relações constituem-se no segredo de sucessos, desencantos e desejos. É provável que as tecnologias disponíveis hoje façam o trabalho de expor em maior grau as redes que sempre existiram em tempos primevos. Mas se quisermos ver mesmo como elas acontecem, acho que devemos desenvolver um trabalho de cunho mais antropológico que matemático ou administrativo. Ou seja, o homem que está em multidão encontra-se, sobretudo, enebriado nesse espaço que compartilha. Acho que para observar a multidão e o seu movimento seria uma boa idéia seguir o pequeno grupo e as conversas paralelas ;)


"Se a contemporaneidade nasce da crise da representação, é precisamente porque surge com ela, em primeiro plano, a questão da produção do novo. O novo é o que escapa [linha de fuga, desvio] à representação, mas também o que significa a emergência da imaginação no mundo da razão, e, consequentemente simples: o tempo da verdade (verdades e formas eternas das quais o moderno ainda é tributário) é substituído pela verdade do tempo como produção do novo como processo. Como diria Bergson: "Ou o tempo é invenção, ou ele não é nada". (PARENTE, 2008, p.143).

Compartilho dessa preocupação sobre a epistemologia das redes e não acho nem um pouco úteis propostas de configuração de modelos de organização das redes. Talvez a origem de tais propostas esteja na otimização de um processo que se dá só por afinidade e afeto visando à intenção de tornar as redes úteis para determinados propósitos. Acho que se quisermos ver a configuração de algo assim devemos observar sobretudo as linhas de fuga, aquilo que não podemos padronizar e aí, ao mesmo tempo, o desvio e a inovação.

Fontes:

PARENTE, André. As imagnes-cristais na arte de Sonia Andrade. IN: SANTAELLA, Lúcia; ARANTES, Priscila. Estéticas Tecnológicas: novos modos de sentir. São Paulo: Educ, 2008. (Coleção Comunicação e Semiótica).

BENJAMIN, Walter. Paris, a capital do século XIX. IN: BOLLE, Willi (Org.) Passagens. Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2007.

Friday, August 21, 2009

Can we all Govern?

Us Now from Banyak Films on Vimeo.

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